sábado, 25 de abril de 2015

Resenha: A Relíquia


Olá, pessoal! Tudo certo com vocês? Então, depois de muito tempo, venho aqui com outra resenha pra vocês! Bem, A Relíquia, é um livro do autor português Eça de Queirós, e esta obra (como as outras do autor) pertence ao realismo.
O livro conta a história de Teodorico Raposo, que mais adiante, conforme cresce, será conhecido por seus amigos como Raposão.
Teodorico perde o pai e a mãe muito cedo, o que faz com que ele tenha que viver com sua tia Maria do Patrocínio, mais conhecida como Titi, uma fanática religiosa que é dona de uma fortuna considerável.

Desde menino, Teodorico foi instruido pelos outros a dizer sempre sim à tia, pois era necessário agradá-la, fazer o que mandava, principalmente por causa da sua fortuna. 

Fica muito claro na obra as características principais do realismo: a ironia, o humor ácido, a crítica à hipocrisia religiosa, o dinheiro como o centro de tudo, o homem ambicioso que não sente culpa por nada que fizer, desde que os fins justifiquem os meios.

-O Teodorico não tem ninguém senão a Titi... É necessário dizer sempre que sim à Titi. Eu repeti, encolhido: -Sim, Titi.


A tia Maria do Patrocínio cuida de seu sobrinho muito bem. Coloca-o em um bom colégio religioso, depois paga os estudos na escola de Direito, porém nunca deixa de lado o fanatismo religioso. Despreza homens que corram atrás de "rabos de saia", e controla seu sobrinho ao máximo para que não se envolva com mulher nenhuma. Contudo, é exatamente o contrário que ocorre. O nosso Raposão sempre conseguiu dar suas escapadelas do radar de Titi.

Cansado de toda aquela cobrança, mas feliz com a vida boa que levava, Teodorico percebe que só será feliz e terá paz quando a tia, finalmente, morrer, deixando para ele toda a sua fortuna. Infelizmente, em uma de suas conversas com um padre muito amigo de Titi e frequentador de sua casa, Raposo descobre que a tia está em dúvida quanto ao seu testamento: gostava do sobrinho, mas queria deixar a herança para alguém realmente virtuoso que, ao receber o dinheiro, daria-a toda em prol da religião. Como o padre disse, estava em dúvida se deixava a herança para o sobrinho, ou para Jesus.

Porque agora, eu estava bem decidido a não deixar ir para Jesus, filho de Maria, a aprazível fortuna do comendador G. Godinho. Pois quê! Não bastavam ao Senhor os seus tesouros incontáveis; as sombrias catedrais de mármore, que atulham a terra e a entristecem; as inscrições, os papéis de crédito que a piedade humana constantemente averba em seu nome; (...) Pois bem, disputaremos esses mesquinhos, fugitivos haveres, tu, ó filho do carpinteiro, mostrando à Titi a chaga que por ela recebeste, uma tarde, numa cidade bárbara da Ásia, com tanto ruído e tanto fausto, que a Titi não possa saber onde está o mérito, se em ti que morreste por nos amar demais, se em mim que quero morrer por não te saber amar bastante!