domingo, 25 de janeiro de 2015

Resenha: Crônica de Uma Morte Anunciada

Oi, gente! Tudo bom com vocês? Então, finalmente estou resenhando um livro do Gabriel García Marquez! Não sei vocês, mas eu acho esse homem excelente! Principalmente nesta obra.

O livro conta a história de Santiago Nasar, um jovem rapaz que leva uma vida aparentemente normal. Vale ressaltar que esse livro não começa com a ordem cronológica tradicional. O mais interessante da estória é que ela começa por onde deveria acabar. Isso mesmo, pelo final. Já sabemos, assim que abrimos a primeira página, que Santiago Nasar, o personagem principal, morrerá.

A narrativa do livro remete-se a uma linguagem jornalística, visto que o narrador não é onipresente, muito menos o próprio santiago. O narrador é um parente distante da família que, anos depois de todos os fatos ocorridos, retorna à cidade em busca de respostas para o acontecimento mal contado.

 O que eu achei genial neste livro é a crítica sutil, mas ao mesmo tempo gritante, aos valores da época, à soberania dos homens sobre as mulheres, à hipocrisia.

“Qualquer homem será feliz com elas, porque foram criadas para sofrer.”
P. 48 

Quase todos sabiam que Santiago Nasar morreria naquele dia, porém, ninguém tentou avisá-lo, muito menos salvá-lo. 

Angela Vicario, uma moça vinda de boa família, foi praticamente obrigada a casar com um homem rico e misterioso que chegou à cidade. Ela não o amava, mas a mãe fez questão de reforçar que "o amor também se aprende". Só teve um problema: Angela não era mais virgem, e isso era simplesmente inaceitável! Sabia que não poderia contar com a mãe, então resolveu armar para que o marido não descobrisse na noite de núpcias, mas seu plano deu errado. No final, o marido ficou tão ofendido que a devolveu para a família. Todos ficaram chocados. Os irmãos obrigaram-se a defender a honra da irmã, pediram-lhe o nome do bastardo que havia manchado a reputação da moça, e ela prontamente disse que fora Santiago Nasar. Desde então, os irmãos prepararam-se para matar o rapaz, apenas por ter tirado a virgindade da irmã. Eles não queriam matá-lo, por isso começaram a contar para a cidade toda o que fariam. Entretanto, como disse, ninguém se intrometeu. Ninguém se mete nas questões de honra.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Resenha: Cretino Irresistível + Cretina Irresistível



Olá, pessoal! Tudo bom com vocês? Então, hoje o gênero das resenhas será um pouco diferente do que vocês (e eu), estão acostumados. Eu não costumo ter tempo de ler os famosos best-sellers, embora eu ame lê-los para dar uma descansada de vez em quando.

Enfim, eu passei as férias na casa do meu pai e não levei nada para ler! Esqueci completamente. Como estava entediada, fui em um site que disponibiliza livros gratuitos e decidi ler esse, um dos primeiros que apareceu.

Nunca fui interessada nele, mas sempre tive curiosidade. Eu sabia a maior parte de seu conteúdo pelo que falavam, sabia que era erótico e sabia que seria mais do mesmo. Porém, fui ler. Não me arrependi.

Primeiro por que eu fui surpreendida ao perceber que já havia lido a história. Então, a ficha caiu. Assim como 50 tons de Cinza, o livro também foi, originalmente, uma fanfiction de Crepúsculo que fazia sucesso.

Bem, eu serei sincera: o enredo é clichê. Chloe Mills será secretária de Bennet Ryan, um empresário bem sucedido que voltou recentemente para sua cidade natal, onde o pai tem uma empresa chamada Ryan Media Group. Chloe já trabalha há seis anos para o pai de Bennett, mas assim que o filho chega, o Sr. Ryan sabe que ninguém além de Chloe suportará conviver com seu filho por conta de seu gênio difícil.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Resenha: Um Teto Todo Seu




Olá! Como vocês estão neste novo ano que começou? Lendo muito?
Eu confesso para vocês que estou um pouco devagar nas leituras, mas depois de uma semana, finalmente terminei meu primeiro livro de 2015: Um Teto Todo Seu, da talentosíssima e única Virgínia Woolf.

É difícil falar sobre esse livro. É difícil, sinceramente, resenhar qualquer coisa que tenha sido escrita por essa mulher. Ela é complexa e fascinante ao mesmo tempo.

Esta obra surgiu de duas palestras que Virgínia fez em uma faculdade inglesa exclusiva para mulheres em 1928. O tema era As Mulheres e a Ficção, mas claro que nossa escritora brilhante foi muito além disso. O livro, apesar de abranger um assunto mais técnico, também tem seu toque de ficção, pois Virgínia cria uma personagem para impor suas ideias e argumentos ao longo do texto: Mary Seton. 

Primeiramente, Virgínia já começa com este ponto ao lado citado. Não há arte, não há talento, se não houver dinheiro, uma casa e um espaço adequado para poder desenvolver seu trabalho. E, sendo mulher, isto é um problema. As mulheres, ainda agora, em 2015, ainda sofrem todo o tipo de preconceito por querer os mesmos direitos que os homens, então imaginem o quanto isto era ainda pior em 1928. As mulheres eram ensinadas a cozinhar, a cuidar do lar, do marido e dos filhos. Não podiam sair por aí estudando, não podiam sair por aí ganhando seu próprio dinheiro.

"Se ao menos a senhora Seton, sua mãe e sua avó tivessem aprendido a grande arte de ganhar dinheiro e tivessem destinado o seu dinheiro, como fizeram os pais e os avôs delas, a criar bolsas de pesquisas ou palestras e prêmios e bolsas de estudos específicas para o uso de seu próprio sexo, nós poderíamos ter jantado decentemente uma ave e uma garrafa de vinho aqui em cima; poderíamos esperar, com confiança desmedida, viver uma vida agradável e honrada sob a proteção de uma dessas profissões prodigamente rentáveis. Nós poderíamos estar explorando ou escrevendo; divagando sobre os lugares mais veneráveis da terra. [...] Além disso, é igualmente inútil se perguntar o que teria acontecido se a senhora Seton, sua mãe e sua avó tivessem acumulado grande riqueza e houvessem depositado nas fundações de uma faculdade e uma biblioteca, porque, em primeiro lugar, ganhar dinheiro era impossível para elas, e, em segundo, se isso tivesse sido possível, a lei lhes negaria o direito de possuir o dinheiro ganho."
P. 26



Apenas no século XIX foram aprovados no Reino Unido os Married Women's Property Acts, lei que dava às mulheres casadas o direito de serem as proprietárias legais do dinheiro que ganhavam e também de controlarem seus bens.

"Por que os homens bebem vinho e as mulheres, água? Por que um sexo é tão próspero e o outro, tão pobre?"
P. 28