domingo, 9 de agosto de 2015

Resenha: O Lado Bom da Vida

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Oi, pessoal! Como vocês estão?! Hoje eu trouxe para vocês a resenha de "O Lado Bom da Vida", do autor Matthew Quick.

Infelizmente, eu acabei vendo o filme antes de ler o livro, e foi uma surpresa inesperada perceber que o livro e o filme tem muitas divergências. Eu nem posso dizer de qual gostei mais, pois ambos possuem suas particularidades, o que achei ótimo!

O livro conta a história de Pat Peoples, um homem de 30 e poucos anos, professor, que após um problema conjugal com sua esposa foi internado em uma clínica psiquiátrica. Pat, após um tempo que ele julga ser apenas uns meses, volta a morar com os pais enquanto pensa estar passando apenas um "tempo separado" da mulher, já que ele não se lembra do que realmente aconteceu para ter ido parar no "lugar ruim", como ele chama a clínica psiquiátrica.

A narrativa do livro, no início, é meio monótona, mas realista já que é narrado por Pat. A impressão que temos ao ler a história é de que estamos na cabeça de Pat, presenciando toda a sua confusão num misto de amor por Nikki, e arrependimento por algo que ele não sabe direito o que é, mas que coloca apenas como ter sido um péssimo marido.

Através de amigos do passado que se reaproximam de Pat, ele conhece Tiffany, cunhada de um de seus amigos e que também está passando por problemas mentais desde a morte de seu marido. Os dois mantém uma certa amizade inesperada e inexplicável, pois apesar de sempre correrem juntos, ou irem ao restaurante para comer cereal, eles nunca se falam realmente, mas parecem se entender. De uma maneira quase doida, isso não é lindo? Haha

Não acontecem grandes reviravoltas no livro, então eu não vou me estender muito sobre ele para não acabar soltando demais e acabar com a surpresa. Eu adorei lê-lo, pois a simplicidade do livro relacionada com a vivacidade da escrita de Matthew ao narrar os pensamentos de Pat o tornam encantador.

Além disso tudo, pra quem curte esporte o livro vai ser bem legal, pois o Pat e toda a sua família é completamente fanática pelos Eagles. E há vários spoilers sobre clássicos da nossa literatura! Espero que vocês leiam! Ou, se já leram, espero que tenham gostado!

Deixem as opiniões de vocês nos comentários, viu? Até mais!

Mas vou lhe dizer o mesmo que digo para meus alunos quando se queixam sobre a natureza deprimente da literatura americana: a vida não é um filme de censura livre para fazer com que a pessoa se sinta bem. Muitas vezes a vida real acaba mal, como aconteceu com nosso casamento, Pat. E a literatura tenta documentar essa realidade, mostrando-nos que ainda é possível suportá-la com nobreza.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Resenha: Elos do Destino

Olá! Como vocês estão? Espero que bem! Enfim, hoje eu venho trazer para vocês a resenha de Elos do Destino, um livro de autoria de Cátia Mourão e publicado pela Ler Editoral. A editora mandou-me o livro para resenha há um mês, mas só agora pude me dedicar à leitura.

O livro possui 168 páginas, possui uma bela capa e foi lançado este ano. Conta a história de Catarina e Bruno, e o enredo se passa quase todo no sul do Brasil.

Apesar de o enredo ser clichê, agradou-me bastante para passar o tempo. Não consegui, no entanto, criar um elo com Catarina, a personagem principal da história. Para mim, pareceu-me muito dependente dos outros para tudo, até mesmo para lavar sua própria roupa ou comer, necessidades básicas, que todos deveriam saber lidar. Já com o personagem Bruno, já tive um pouco mais de simpatia, pois ele ao menos trabalha, e a história de sua vida, que vamos descobrindo ao decorrer do romance, é bem interessante.

A história de amor de Catarina e Bruno é bonita pois, de certa forma, ambos vencem a solidão e acham uma nova alegria em suas vidas, completando-se e descobrindo mais sobre o amor a cada dia que convivem mais. No entanto, a escrita e a revisão do livro deixou muito a desejar. Erros gritantes como o uso incorreto dos "porquês" ou "por traz" no lugar de "por trás" e o uso incorreto da crase me deixaram um tanto quanto decepcionada, tanto com a autora, como com o revisor da editora. Espero que nas próximas edições do livro, isso seja arrumado.

Também acho que a história poderia ter um desenvolvimento bem maior, porque algumas cenas passam muito rápido, e talvez não passem tudo o que deveriam passar, porém, como disse, para quem está a procura de um leve romance para passar uma tarde, é uma boa escolha, apesar dos pesares.

Algum de vocês já leu o livro? Digam para mim o que acharam!

Até mais! :]

domingo, 14 de junho de 2015

#DiaDeFilme: O Jogo da Imitação

"Eu acredito que, às vezes, são as pessoas que ninguém espera nada que fazem as coisas que ninguém consegue imaginar.

Sinopse:
Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico monta uma equipe que tem por objetivo quebrar o Enigma, o famoso código que os alemães usam para enviar mensagens aos submarinos. Um de seus integrantes é Alan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático de 27 anos estritamente lógico e focado no trabalho, que tem problemas de relacionamento com praticamente todos à sua volta. Não demora muito para que Turing, apesar de sua intransigência, lidere a equipe. Seu grande projeto é construir uma máquina que permita analisar todas as possibilidades de codificação do Enigma em apenas 18 horas, de forma que os ingleses conheçam as ordens enviadas antes que elas sejam executadas. Entretanto, para que o projeto dê certo, Turing terá que aprender a trabalhar em equipe e tem Joan Clarke (Keira Knightley) sua grande incentivadora.

   Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Então, como todo domingo, hoje eu trouxe uma postagem relacionada a filmes. Como eu estou meio atrasada, ainda estou vendo os filmes que concorreram ao Oscar. Pois é, né? Bem atrasada! Contudo, "O Jogo da Imitação" eu queria ver de qualquer jeito, principalmente pela Keira Knightley, que é minha atriz favorita (arrasou em Orgulho e Preconceito, né?). Enfim, eu não tinha procurado saber muito sobre o enredo do filme em si. Tudo o que eu sabia era que foi baseado em fatos reais e que tinha a ver com a Segunda Guerra Mundial, o que já foi o bastante, porque eu amo filmes sobre a Segunda Guerra.
    O longa conta a história de Alan Turing, um matemático brilhante que decide se voluntariar para participar de um projeto ultrassecreto que visa quebrar o código Enigma, pelo qual os alemães se comunicam com os submarinos para atacar os inimigos. Desde o início percebe-se que Alan não é muito social, mas sim sozinho, antipático e fechado. Quando ele percebe que tem que trabalhar em equipe, simplesmente ignora esse fato e começa logo a projetar uma máquina que, segundo ele, vai acabar com a Guerra. Enquanto isso, os outros integrantes tentam quebrar os códigos manualmente e duvidam totalmente da ideia de Alan.
    O superior deles diz por fim que não vai financiar a máquina de Alan, ou seja, ela não terá como sair do papel, já que ninguém leva muita fé em sua criação. Obstinado, ele procura o superior de seu superior, e logo fica no comando, agora controlando a equipe.
  Tudo muda com a chegada de Joan, uma mulher. Primeiro porque ninguém acredita que uma mulher possa realmente ajudar a quebrar um código nazista, e segundo porque ela parece simpatizar com Alan. Eles se entendem, e Joan faz que, aos poucos, Alan ganhe a confiança da equipe. 
     Não vou contar mais nada para vocês, porque até aqui é só o começo do filme, na verdade. Joan tem pais super protetores que não querem a filha fora de casa sem um marido, e Alan tem muitos segredos em sua vida, em seu passado.
     Esse filme é um choque de realidade para todos aqueles que ficam achando que as pessoas não podem simplesmente ser diferentes para serem aceitáveis perante a sociedade. Alan Turing foi vítima do conservadorismo europeu. Teve um final trágico, mesmo com sua participação mais do que importante para encurtar a guerra. Por quê?

A questão interessante é: só porque algo pensa diferente de você, isso significa que ela não pensa? Nós concordamos que os humanos divergem uns dos outros. Você gosta de morangos, eu odeio patinação no gelo, você chora em filmes tristes, eu sou alérgico ao pólen. Como explicar diferentes gostos, preferências diferentes se não dizendo que nossos cérebros funcionam de forma diferente, que pensam de forma diferente?

sábado, 30 de maio de 2015

Resenha: O Inferno de Gabriel

Olá, pessoal! Tudo bom com vocês? Então, hoje eu vim falar um pouquinho sobre o livro "O Inferno de Gabriel", o primeiro volume de uma trilogia. Fazia tempos que eu estava louca para lê-lo, pois sendo fã dos clássicos como sou, me empolguei quando descobri que o livro era 'baseado' em "A Divina Comédia" de Dante. 

Pois bem, a obra conta a história do professor de literatura Gabriel Emerson, especialista em Dante na Universidade de Toronto; e da jovem Julia Mitchell, estudante de literatura que consegue uma bolsa de mestrado no Canadá, na mesma universidade do professor Emerson.

Logo de cara percebemos que algo no "encontro" soa estranho. Julia parece conhecê-lo, mas Gabriel não parece ter noção alguma de quem sua aluna é.

Ao longo da narrativa, as peças vão se encaixando e vamos descobrindo mais sobre o passado de ambos, mas principalmente sobre a vida do professor Emerson.



A princípio, não a reconheceu. Sua beleza era de tirar o fôlego. Seus movimentos, graciosos e confiantes. Porém havia algo em seu rosto e em suas formas que lhe lembrou a jovem pela qual se apaixonara tempos atrás. Cada um deles havia seguido seu caminho, mas o poeta sempre lamentaria a perda de seu anjo, de sua muda, de sua amada Beatriz. Sem ela, sua vida era solitária e insignificante. Agora, lá estava a sua bem-aventurança.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Editora Parceira: Ler Editorial

Olá, pessoal! Como vocês estão?

Hoje eu trouxe uma excelente notícias para vocês: a nova parceria do "Encontros Literários" com a editora "Ler Editorial".

Estou muito empolgada com essa nova parceria, pois a Ler Editorial tem um diferencial bastante relevante: só publica livros de escritores nacionais! É tão difícil achar uma editora que dê valor aos autores brasileiros e invista neles, que quando achamos uma, temos que incentivar isso e aplaudir de pé. Afinal, não só com estrangeiros se faz boa literatura!



Enfim, vamos conhecer um pouco mais sobre a editora?


A Ler Editorial se orgulha de ser a casa do autor brasileiro, publicando exclusivamente obras de autores nacionais contemporâneos, direcionadas ao público jovem e adulto.
 Somos, antes de tudo, uma empresa inovadora e dinâmica, que tem como objetivo antecipar para os leitores as novas tendências do mercado literário.
 Nosso catálogo reúne temas diversificados, passando pelos gêneros: Romance, Literatura fantástica, Literatura feminina e Erótico Contemporâneo.
 Alinhados com as novas tendências do mercado, todas as obras da Ler Editorial também estão disponíveis aos leitores no formato digital, em versões e-book que expressam um minucioso trabalho técnico e estético, prezando acima de tudo, a qualidade da leitura.
 Estamos atentos também a formação da nova geração de escritores e para isso temos um espaço dedicado a avaliação de originais, prestando toda assessoria que o autor necessita para publicar e comercializar sua obra.


Achei interessante também a possibilidade de enviar os originais para que eles possam avaliar! A literatura brasileira não é um caminho fácil, mas é bom perceber que isso está mudando com o tempo.

domingo, 24 de maio de 2015

#DiaDeFilme: O Grande Hotel Budapeste

"Ainda resta uma centelha fraca de civilização neste matadouro selvagem que já foi conhecido como humanidade."

Sinopse:
No período entre as duas guerras mundiais, o famoso gerente de um hotel europeu conhece um jovem empregado e os dois tornam-se melhores amigos. Entre as aventuras vividas pelos dois, constam o roubo de um famoso quadro do Renascimento, a batalha pela grande fortuna de uma família e as transformações históricas durante a primeira metade do século XX.


Olá, pessoal! Como vocês estão? Espero que bem! Então, esse final de semana eu tirei para não fazer absolutamente nada de faculdade, trabalho, etc, e me concentrei em fazer o que eu não fazia há um tempo: ver filmes. O primeiro a ser visto foi "O Grande Hotel Budapeste". Eu já havia adquirido o filme há alguns meses, porém, foi apenas por ver as indicações ao Oscar do longa. Não sabia do que se tratava realmente e, portanto, não tinha grandes expectativas. 

Foi mágico! Como é bom não estarmos esperando nada demais e vir uma verdadeira produção que te toca profundamente. O Grande Hotel Budapeste é um filme único, pois eu nunca vi nada igual. Eu precisava ser surpreendida, eu precisava de um tempo dessas grandes produções cheias de efeitos especiais e heróis e foi exatamente o que eu tive. O filme todo é diferente, e é isso que torna-o tão fantástico.

O filme gira em torno de um velho escritor (interpretado por Thomas Wilkinson) que decide revelar o que aconteceu no tempo que ficou no Grande Hotel Budapeste e conhece seu proprietário, que acaba contando a ele, durante um jantar, toda a história de sua vida e, consequentemente, do passado e trajetória do hotel. Ou seja, o filme não começa na sequência cronológica dos fatos, o que deixa tudo mais intrigante. No entanto, o mistério não chega a ser confuso. Tudo faz parte de um grande quebra-cabeça em que, no final, as peças se encaixam perfeitamente.

A partir do que o dono atual do hotel conta para o escritor, os personagens principais vão aparecendo. Ralph Fiennes (eterno Lord Voldemort, né gente?!) como M. Gustave (concierge do hotel) e Tony Revoluri como Zero (o novo mensageiro do hotel). 

A trama começa a se desenrolar quando, para  a surpresa de todos, M. Gustave recebe a notícia de que uma de suas amantes ricas, velhas e loiras  (como eram todas), morrera. O mais surpreendente não é o fato de a mulher ter falecido, mas sim de que ela deixou uma herança para M. Gustave, mais especificamente um quadro valiosíssimo. A família da falecida fica inconformada de ter que dividir sua fortuna com um qualquer, e começa a fazer de tudo para tornar a vida de M. Gustave um inferno, tudo para que ele não fique com nada. 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Por que ler os Clássicos?


"Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer." 

Ítalo Calvino

   É uma pena que muitas pessoas ainda achem que os livros considerados clássicos da literatura são livros ultrapassados, enfadonhos, que não têm mais nada há passar para nós. Justamente ao contrário: deve ser considerado clássico apenas aqueles livros que, ao ler, conseguimos perceber a atualidade ali presente, mesmo depois de tanto tempo.
   Ao mesmo tempo que eu acho triste, também compreendo. Se alguém me dissesse há dois anos que eu estaria lendo os clássicos, entendendo-os, e gostando da grande maioria, eu não acreditaria. É engraçado como nós temos medo do desconhecido, como nós criticamos sem conhecer, como nós formamos pré-conceitos e fazemos da nossa opinião baseada em achismos a única verdade plausível.
    Vou contar para vocês uma coisa muito engraçada e, que de certa forma, faz parte de quem eu sou agora: quando eu era criança, ganhei "O Pequeno Príncipe" de presente de uma tia. Eu fiquei anos sem tirar o livro da prateleira, pois todos da minha família diziam: "Esse livro é lindo, é um clássico!". E eu ficava apavorada e desistia de ler o livro apenas por meu pré conceito de que tudo que era clássico era difícil. Alguns anos depois, ainda na minha infância (quase pré adolescência), ganhei o tão famoso best-seller Crepúsculo. Vivia-se falando do dito livro, em tudo que é lugar, ainda mais quando estavam estreando o segundo filme da mesma saga no cinema. Então, eu via todo mundo falando desse tal livro, eu via as pessoas elogiando a tal estória de romance, e eu me encorajei a ler, porque se todo mundo estava lendo, isso indicava que não era difícil, nem chato, certo? 
    Li. E posso dizer que foi uma decisão acertada. Não por ser o melhor livro que eu já li, não por ele ter me tocado de alguma forma, nem por eu ter gostado muito, mas por que me fez perceber que eu simplesmente amava ler! Quer dizer, quando era bem pequena, eu tinha montanhas de livros infantis ilustrados, montanhas mesmo, mas nunca tinha lido um livro com tantas páginas, tão rápido. Aquilo me deu motivação para ler mais e, consequentemente, tirar "O Pequeno Príncipe" da estante, e perder o medo de tentar ler um clássico. Esse sim, eu posso dizer que se tornou um dos meus favoritos. Por quê? Porque me fez pensar além da zona de conforto.

sábado, 25 de abril de 2015

Resenha: A Relíquia


Olá, pessoal! Tudo certo com vocês? Então, depois de muito tempo, venho aqui com outra resenha pra vocês! Bem, A Relíquia, é um livro do autor português Eça de Queirós, e esta obra (como as outras do autor) pertence ao realismo.
O livro conta a história de Teodorico Raposo, que mais adiante, conforme cresce, será conhecido por seus amigos como Raposão.
Teodorico perde o pai e a mãe muito cedo, o que faz com que ele tenha que viver com sua tia Maria do Patrocínio, mais conhecida como Titi, uma fanática religiosa que é dona de uma fortuna considerável.

Desde menino, Teodorico foi instruido pelos outros a dizer sempre sim à tia, pois era necessário agradá-la, fazer o que mandava, principalmente por causa da sua fortuna. 

Fica muito claro na obra as características principais do realismo: a ironia, o humor ácido, a crítica à hipocrisia religiosa, o dinheiro como o centro de tudo, o homem ambicioso que não sente culpa por nada que fizer, desde que os fins justifiquem os meios.

-O Teodorico não tem ninguém senão a Titi... É necessário dizer sempre que sim à Titi. Eu repeti, encolhido: -Sim, Titi.


A tia Maria do Patrocínio cuida de seu sobrinho muito bem. Coloca-o em um bom colégio religioso, depois paga os estudos na escola de Direito, porém nunca deixa de lado o fanatismo religioso. Despreza homens que corram atrás de "rabos de saia", e controla seu sobrinho ao máximo para que não se envolva com mulher nenhuma. Contudo, é exatamente o contrário que ocorre. O nosso Raposão sempre conseguiu dar suas escapadelas do radar de Titi.

Cansado de toda aquela cobrança, mas feliz com a vida boa que levava, Teodorico percebe que só será feliz e terá paz quando a tia, finalmente, morrer, deixando para ele toda a sua fortuna. Infelizmente, em uma de suas conversas com um padre muito amigo de Titi e frequentador de sua casa, Raposo descobre que a tia está em dúvida quanto ao seu testamento: gostava do sobrinho, mas queria deixar a herança para alguém realmente virtuoso que, ao receber o dinheiro, daria-a toda em prol da religião. Como o padre disse, estava em dúvida se deixava a herança para o sobrinho, ou para Jesus.

Porque agora, eu estava bem decidido a não deixar ir para Jesus, filho de Maria, a aprazível fortuna do comendador G. Godinho. Pois quê! Não bastavam ao Senhor os seus tesouros incontáveis; as sombrias catedrais de mármore, que atulham a terra e a entristecem; as inscrições, os papéis de crédito que a piedade humana constantemente averba em seu nome; (...) Pois bem, disputaremos esses mesquinhos, fugitivos haveres, tu, ó filho do carpinteiro, mostrando à Titi a chaga que por ela recebeste, uma tarde, numa cidade bárbara da Ásia, com tanto ruído e tanto fausto, que a Titi não possa saber onde está o mérito, se em ti que morreste por nos amar demais, se em mim que quero morrer por não te saber amar bastante!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

#DiaDeFilme: Birdman!



       Oi, pessoal! Tudo bem com vocês? Sei que faz tempo que eu não posto nada aqui no blog, mas estive ocupada por essas semanas. Enfim, eu fiquei o mês inteiro prometendo pra mim que veria os filmes indicados ao Oscar antes da última hora, mas adivinhem? Não cumpri meu combinado! Então, hoje fiquei que nem uma louca baixando os filmes que já estão com boa qualidade pela internet. O primeiro que eu decidi ver foi Birdman (A Inesperada Virtude da Ignorância), que está concorrendo ao Oscar de melhor filme.
     Pra ser bem sincera, eu esperava bem mais de um filme que está indicado em tantas subcategorias no Oscar, ainda mais na principal como melhor filme. Na minha opinião, as únicas duas coisas que salvaram o filme foram a filmagem excelente e Edward Norton (que está concorrendo ao prêmio de melhor ator coadjuvante também).
       O enredo é bem interessante: um ator que ficou famoso por interpretar um super herói dos quadrinhos nos cinemas decaiu juntamente com sua carreira ao decorrer dos anos. Ao mesmo tempo que ele amava a fama que o personagem Birdman trazia, ele também passa a impressão de que odiava ser reconhecido e admirado apenas por aquele papel. Parecia superficial demais para ele. Ele queria algo grande, algo memorável. Então, decidiu escrever, dirigir e atuar em uma peça adaptada de um livro na Broadway. Ele está quase falindo e ninguém próximo a ele tem muitas esperanças de que aquilo dará certo, mas ele não se importa. Ele quer ser reconhecido por mais do que um herói de um quadrinho; quer ser reconhecido por algo mais do que um personagem que ficava enfurnado numa fantasia de pássaro. E ele luta para conseguir isso até o fim. Ao mesmo tempo que o filme não me agradou, tenho que admitir que também deu o que pensar. 
       Thomson é um homem frustrado como qualquer outro que não atingiu seus objetivos, e isso o incomoda como incomodaria qualquer um. É curioso ver como cada pessoa reage diferente às adversidades que a vida impõe. O personagem. 
     

Em certa parte do filme, Shiner diz a Thomson que “A popularidade é a prima promíscua do prestígio”. E eu acho que ele não poderia estar mais certo. Quantos artistas fazem, de fato, um bom trabalho? Tudo bem que gosto é relativo, mas talento não. Há pessoas que sabem atuar, outras que não sabem. Quantos atores bons são prestigiados, porém não reconhecidos? Quantos atores ruins fazem sucesso apenas com uma boa jogada de marketing e muito dinheiro envolvido? Apesar de ter minhas reservas quanto ao filme, ele me cativou exatamente por isso: me fez refletir e não ficou na zona de conforto. De certa forma, foi uma crítica. Uma crítica muito pertinente. Pois, afinal, todos os dias há uma série de super produções fantásticas saindo de Hollywood, mas e quanto as produções simples? Quando foi que nos esquecemos que o sentimento, a emoção produzida por um artista, um verdadeiro artista ao interpretar importa mais do que um efeito recheado de tecnologia? 

"Você teve uma carreira antes do terceiro filme do herói dos quadrinhos, antes das pessoas começarem a esquecer quem estava dentro da fantasia de pássaro. Agora você está fazendo uma peça baseada em um livro que foi escrito há 60 anos atrás para umas centenas de ricos e brancos que só estão mesmo preocupados em onde eles vão comer depois. E encare, pai, não é pela arte, é porque você quer se sentir relevante de novo. Tem um mundo inteiro aí fora onde as pessoas lutam para serem relevantes todos os dias e você age como se ele não existisse! Você detesta os blogueiros, você detesta o Twitter e você nem tem um perfil no Facebook! Você não existe. Você faz isso porque tem medo de morrer. Como todos nós. E você quer saber? Você está certo. Nada é importante. Você não é importante. Se acostume com isso."

domingo, 25 de janeiro de 2015

Resenha: Crônica de Uma Morte Anunciada

Oi, gente! Tudo bom com vocês? Então, finalmente estou resenhando um livro do Gabriel García Marquez! Não sei vocês, mas eu acho esse homem excelente! Principalmente nesta obra.

O livro conta a história de Santiago Nasar, um jovem rapaz que leva uma vida aparentemente normal. Vale ressaltar que esse livro não começa com a ordem cronológica tradicional. O mais interessante da estória é que ela começa por onde deveria acabar. Isso mesmo, pelo final. Já sabemos, assim que abrimos a primeira página, que Santiago Nasar, o personagem principal, morrerá.

A narrativa do livro remete-se a uma linguagem jornalística, visto que o narrador não é onipresente, muito menos o próprio santiago. O narrador é um parente distante da família que, anos depois de todos os fatos ocorridos, retorna à cidade em busca de respostas para o acontecimento mal contado.

 O que eu achei genial neste livro é a crítica sutil, mas ao mesmo tempo gritante, aos valores da época, à soberania dos homens sobre as mulheres, à hipocrisia.

“Qualquer homem será feliz com elas, porque foram criadas para sofrer.”
P. 48 

Quase todos sabiam que Santiago Nasar morreria naquele dia, porém, ninguém tentou avisá-lo, muito menos salvá-lo. 

Angela Vicario, uma moça vinda de boa família, foi praticamente obrigada a casar com um homem rico e misterioso que chegou à cidade. Ela não o amava, mas a mãe fez questão de reforçar que "o amor também se aprende". Só teve um problema: Angela não era mais virgem, e isso era simplesmente inaceitável! Sabia que não poderia contar com a mãe, então resolveu armar para que o marido não descobrisse na noite de núpcias, mas seu plano deu errado. No final, o marido ficou tão ofendido que a devolveu para a família. Todos ficaram chocados. Os irmãos obrigaram-se a defender a honra da irmã, pediram-lhe o nome do bastardo que havia manchado a reputação da moça, e ela prontamente disse que fora Santiago Nasar. Desde então, os irmãos prepararam-se para matar o rapaz, apenas por ter tirado a virgindade da irmã. Eles não queriam matá-lo, por isso começaram a contar para a cidade toda o que fariam. Entretanto, como disse, ninguém se intrometeu. Ninguém se mete nas questões de honra.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Resenha: Cretino Irresistível + Cretina Irresistível



Olá, pessoal! Tudo bom com vocês? Então, hoje o gênero das resenhas será um pouco diferente do que vocês (e eu), estão acostumados. Eu não costumo ter tempo de ler os famosos best-sellers, embora eu ame lê-los para dar uma descansada de vez em quando.

Enfim, eu passei as férias na casa do meu pai e não levei nada para ler! Esqueci completamente. Como estava entediada, fui em um site que disponibiliza livros gratuitos e decidi ler esse, um dos primeiros que apareceu.

Nunca fui interessada nele, mas sempre tive curiosidade. Eu sabia a maior parte de seu conteúdo pelo que falavam, sabia que era erótico e sabia que seria mais do mesmo. Porém, fui ler. Não me arrependi.

Primeiro por que eu fui surpreendida ao perceber que já havia lido a história. Então, a ficha caiu. Assim como 50 tons de Cinza, o livro também foi, originalmente, uma fanfiction de Crepúsculo que fazia sucesso.

Bem, eu serei sincera: o enredo é clichê. Chloe Mills será secretária de Bennet Ryan, um empresário bem sucedido que voltou recentemente para sua cidade natal, onde o pai tem uma empresa chamada Ryan Media Group. Chloe já trabalha há seis anos para o pai de Bennett, mas assim que o filho chega, o Sr. Ryan sabe que ninguém além de Chloe suportará conviver com seu filho por conta de seu gênio difícil.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Resenha: Um Teto Todo Seu




Olá! Como vocês estão neste novo ano que começou? Lendo muito?
Eu confesso para vocês que estou um pouco devagar nas leituras, mas depois de uma semana, finalmente terminei meu primeiro livro de 2015: Um Teto Todo Seu, da talentosíssima e única Virgínia Woolf.

É difícil falar sobre esse livro. É difícil, sinceramente, resenhar qualquer coisa que tenha sido escrita por essa mulher. Ela é complexa e fascinante ao mesmo tempo.

Esta obra surgiu de duas palestras que Virgínia fez em uma faculdade inglesa exclusiva para mulheres em 1928. O tema era As Mulheres e a Ficção, mas claro que nossa escritora brilhante foi muito além disso. O livro, apesar de abranger um assunto mais técnico, também tem seu toque de ficção, pois Virgínia cria uma personagem para impor suas ideias e argumentos ao longo do texto: Mary Seton. 

Primeiramente, Virgínia já começa com este ponto ao lado citado. Não há arte, não há talento, se não houver dinheiro, uma casa e um espaço adequado para poder desenvolver seu trabalho. E, sendo mulher, isto é um problema. As mulheres, ainda agora, em 2015, ainda sofrem todo o tipo de preconceito por querer os mesmos direitos que os homens, então imaginem o quanto isto era ainda pior em 1928. As mulheres eram ensinadas a cozinhar, a cuidar do lar, do marido e dos filhos. Não podiam sair por aí estudando, não podiam sair por aí ganhando seu próprio dinheiro.

"Se ao menos a senhora Seton, sua mãe e sua avó tivessem aprendido a grande arte de ganhar dinheiro e tivessem destinado o seu dinheiro, como fizeram os pais e os avôs delas, a criar bolsas de pesquisas ou palestras e prêmios e bolsas de estudos específicas para o uso de seu próprio sexo, nós poderíamos ter jantado decentemente uma ave e uma garrafa de vinho aqui em cima; poderíamos esperar, com confiança desmedida, viver uma vida agradável e honrada sob a proteção de uma dessas profissões prodigamente rentáveis. Nós poderíamos estar explorando ou escrevendo; divagando sobre os lugares mais veneráveis da terra. [...] Além disso, é igualmente inútil se perguntar o que teria acontecido se a senhora Seton, sua mãe e sua avó tivessem acumulado grande riqueza e houvessem depositado nas fundações de uma faculdade e uma biblioteca, porque, em primeiro lugar, ganhar dinheiro era impossível para elas, e, em segundo, se isso tivesse sido possível, a lei lhes negaria o direito de possuir o dinheiro ganho."
P. 26



Apenas no século XIX foram aprovados no Reino Unido os Married Women's Property Acts, lei que dava às mulheres casadas o direito de serem as proprietárias legais do dinheiro que ganhavam e também de controlarem seus bens.

"Por que os homens bebem vinho e as mulheres, água? Por que um sexo é tão próspero e o outro, tão pobre?"
P. 28